"O 'agente de saúde' do outro turno diz que meu pé corre risco e que não pode mais cuidar dele sem a orientação de um médico. Minha fraqueza é extrema e, para falar a verdade, estou impressionada com o que aconteceu com a minha cara amiga Gerda Vossing. Ela não pode operar sozinha a máquina, seus nervos estão à flor da pele. Vejo chorar esta mulher sem parar; em outros tempos, era tão alegre, tão forte. Suas mãos e seus braços são um conjunto de feridas. Ela desmaia várias vezes ao dia. Ontem teve um ataque: seu lado direito ficou paralisado. De uma hora para outra, Gerda não pode mais "lhes" servir. Levam-na embora. Ela p
arte para o hospital numa maca. Para isso é preciso estar nas últimas! Ouço as alemãs dizerem que logo será a minha vez. As frases milenares das lamentações bíblicas afloram inconscientemente aos nossos lábios... "Até quando, Senhor, até quando?" Os mesmos sofrimentos clamam pelas mesmas palavras. Tenho agora a covardia de pensar, com uma certa inveja, nos companheiros que dormem em paz para sempre no cemitério de Ivry! Vildé, Lewitsky, Nordmann, Walter, o jovem René, Ithier, Andrieu... Vocês não lutam mais, vocês ganharam o repouso merecido, estão em paz..." - Agnes Humbert- A história de uma mulher que desafiou Hitler












